Disseminador de culturas esquecidas

Ele abandonou a formação em desenho industrial para virar agricultor. Hoje planta 300 variedades, 100 delas comestíveis

Patrick Assumpção

A hoje fértil fazenda Nova Coruputuba, em Pindamonhangaba, no Vale da Paraíba, esconde séculos de terra maltratada por sucessivas monoculturas. Revela também um processo de transformação desencadeado por Patrick Assumpção –um dos agricultores parceiros do Maní.

Patrick deixou a formação acadêmica em desenho industrial de lado para assumir a propriedade comprada em 1911 pelo bisavô, Cícero da Silva Prado. Mudou o sistema de produção, e virou agricultor. Agricultor, não. Melhor chamá-lo de agrofloresteiro.

Com o apoio técnico de pesquisadores da região, Patrick fez do solo exaurido da Coruputuba, terra boa e generosa. Terra em que, pela interação de culturas, imensos guanandi convivem com pés de mandioca-ouro e de ervilha-orelha-de-padre. Pouco a pouco, resgata culturas esquecidas (e hoje desconhecidas) pelas gentes da cidade: carás-moela, ararutas, peixinhos, feijões-guandu.

O agrofloresteiro prova, dia a dia, que a biodiversidade só tem a ganhar com a simbiose entre as espécies. Um resultado evidenciado pelos números –300 variedades, 100 das quais comestíveis– e, sobretudo, pela qualidade e sabor dos ingredientes cultivados na Nova Coruputuba.

FAZENDA NOVA CORUPUTUBA
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